sábado, 26 de maio de 2007

Angels in America (3)

Angels in América se passa em uma época em que homens homossexuais eram vistos como “vetores da praga”, AIDS. Desconstrói a imagem de sociedade perfeita da nação supostamente tida como a mais democrática e liberal do mundo. A tão-exaltada liberdade do indivíduo, por exemplo, cessa a partir do momento que o diferente e o estranho ameaça “manchar” as fronteiras. Retrata o colapso de um universo moral durante a Era Reagan; uma América perdida onde as personagens lutam contra a indiferença e o preconceito.

Na primeira parte, o universo das personagens é baseado em manipulações e distorções de leis, relacionamentos entram em colapso; a AIDS surge ainda como fator desestabilizador e as personagens ficam renegadas ao abandono e a solidão. Todo este caos está centrado na figura de Prior Walter, com o corpo infectado pelo vírus HIV, e com conseqüente abandono de seu namorado Louis, e é simbolizado pela destruição física causada pelo surgimento do Anjo.
No entanto, cabe Prior Walter, investido na categoria de mensageiro e Profeta pelo próprio Anjo, que tenta impor uma paralisia total nas ações humanas, reconhece que aquele (o Anjo) possui um poder objetivo absoluto que ameaça aniquilar a sua liberdade, mas mesmo assim, ele decide lutar contra ele.

Prior descobre que a arena principal de sua luta contra as forças que tentam fazê-lo sucumbir, está na realidade dentro de si mesmo. E esta postura é confirmada quando ele diz ao Anjo que reconhece “o vício de estar vivo”, e por esta razão quer o direito de ter “mais vida”.
O drama de Prior começa exatamente no momento em que ele mais precisa do apoio de Louis. Entretanto, este não consegue suportar ver o corpo manchado de quem ele ama. A reação de Louis é considerada deplorável, comprovando um comportamento fraco, imaturo, e acima de tudo, egoísta. Embora o procedimento de Louis nesta situação não seja nem um pouco aceitável, admite-se, porém, que o sentimento de culpa o persegue. Mas Angels in America não condena Louis, contudo o martiriza a sempre com seu sentimento de culpa.

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