Pode-se dizer que a doença de Prior revela a Louis um poder absoluto que ameaça aniquilar não somente a liberdade de quem ele ama, mas também a sua própria liberdade. A Aids é logo associada ao Poder Absoluto, e a sociedade na tentativa de encontrar culpados para serem purgados, de imediato procura uma relação da doença com os homossexuais. Para muitos, eles não passam de aberrações, desvios da natureza, não podem ser “normais”. Dito desta forma, a AIDS se transforma na tragédia Gay.
Em Angels in America, por exemplo, Roy Cohn se recusa aceitar o fato de estar infectado pelo vírus HIV, porque tem consciência de que sua orientação sexual seria atribuída ao homossexualismo. Mesmo sendo homossexual, nega a identidade até o fim, pois, para ele, homossexualismo é sinônimo de marginalidade e fraqueza. “Homossexuais são homens”, argumenta Cohn, “que não conhecem ninguém e que ninguém os conhece”.É por isso que quando seu médico diagnostica sua doença como AIDS, ele prontamente nega dizendo que “AIDS é o que homossexuais têm. Eu tenho câncer no fígado”.
Nas palavras de Roy Cohn, fica, portanto, bastante claro a interpretação do conceito universal de AIDS pela sociedade na década de oitenta, como uma doença da culpa – a vacina divina contra os pecadores.
Uma cena representa bem o painel de hipocrisia, de arrogância e prepotência, nela estão Al Pacino e James Cromwell: o medico (Cromwell) informa que Pacino esta infectado com o vírus e precisa ser internado rapidamente, Pacino num ato de ignorância, menciona que não pode ter AIDS, pois esta é uma doença de gay, e ele não é (somente sai com uns caras!), e que sua doença é um câncer de fígado, neste tom ele acaba por ameaçar o médico para garantir que o diagnostico oficial seja este.
Durante a crise, duas forças antagônicas entram em choque – solidariedade versus intolerância. E é exatamente esta luta, que Angels in América encena. Crises como a da AIDS, colocam a sociedade sob quarentena, refletindo mais uma vez nossos preconceitos, causados pela contaminação do vírus mais letal que já existiu – o da intolerância.





